Sobre o molho de ostras à porta do Parlamento

Tenho a dizer que é um espectáculo bonito de se ver – e foi mesmo pena acabarem as pipocas a certa hora – mas no fundo não vai efectivar resultado nenhum. Por muito que se queira ou não queira, o ajustamento vai ser cumprido, a austeridade vai continuar a cair-nos em cima e isto vai continuar a piorar. Não apoio nem posso apoiar a austeridade como caminho de saída da crise, nem apoio a maioria das políticas que têm sido levadas a cabo. Mas independentemente disso tudo, temos que ter em conta que o que se passa na rua pouca ou nenhuma repercussão terá na vida política, na sala dos cães grandes. Os cães ladram, e a caravana passa. Mais manif menos manif.

Não digo que a mudança não tenha que ser feita, e a indignação tem que ser demonstrada. Agora, não é com meia dúzia de artolas a atirar pedras às autoridades e a derrubar barreiras de segurança. Nesses, a carga policial foi bem assente. Quem quebra as regras deliberadamente sabe que tem que que arcar com as consequências – para cada acção há uma repercussão. Tenho pena dos inocentes, claro. Estavam no lugar errado à hora errada. Mas não dá para distinguir inocentes de prevaricadores numa multidão.

Comecem a pensar em fazer a mudança nas urnas, porque aí é que a vontade tem efeitos sérios no parlamento. Não é no facebook, não é no twitter. Não são as pedras atiradas aos polícias, que compreensivelmente fizeram aquilo para que lhes pagam. É o vosso voto, quando têm a oportunidade de o fazer e preferem ir passear para o shópim ou pô-los ao sol na praia de Carcavelos. É aí que as coisas acontecem, bem à frente dos vossos narizes.

6 thoughts on “Sobre o molho de ostras à porta do Parlamento

  1. Izzie diz:

    Pois eu, cada vez que vejo um indivíduo com a máscara do V a atirar pedras, só penso em duas coisas: – o que pensaria o Alan Moore disso (https://www.youtube.com/watch?v=FumNSfY7SfI); – será que eles leram mesmo o livro?

    • Dou louvor ao movimento Anonymous e ao que eles conseguiram online, mas tenho pena que a máscara tenha caído em pouco mais que “ó pa mim armado em revolucionário”. Qualquer puto do secundário usa essa merda sem sequer saber o nome do primeiro ministro.

  2. Eu acho que as pessoas têm de começar a acordar para a vida e de pensar que está nas mãos delas escolher as pessoas que nos governam. Não é encolher os ombros e esperar que os outros escolham. E principalmente é acreditar que há mais partidos para além do bipartidarismo, que já provou não valer nada.
    E as manifs. (as pacíficas, claro) são precisas. A austeridade é inevitável com ou sem manifs., mas seria muito pior se estivéssemos todos calados.😉

  3. Pi Maria diz:

    Aplaudo e subscrevo inteiramente🙂

  4. S* diz:

    Como diria o meu tio, era atirar uma bomba de merd* para o Parlamento.

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