Monthly Archives: Dezembro 2012

Toco-te…

E não te sinto. Não te sinto o sangue efervescente e não sinto as bochechas quentes, coradas como sempre. Perdeste a habilidade desse truque? Ou deixaste apenas de o fazer porque sim? Lembro-me, lembro-me perfeitamente quando rias desenfreadamente, ao ponto de soluçares e te engasgares com o riso. E eu ria também, sem saber bem de quê, mas ria. Ria contigo. Era tudo o que eu queria, rir contigo, chorar contigo, disparatar ou reclamar contigo. Qualquer coisa, desde que contigo. E dessa forma desaprendi a fazer tudo sozinho. Tenho saudades dos dias antigos, lembras-te? Ainda me lembro dos dias em que voltava a casa com um sorriso rasgado. Não gosto de sorrisos rasgados, sinto-me aquele gato parvo do País das Maravilhas. Mas era autêntico e tu gostavas, eu sei. Também não sei para onde foi esse sorriso, confesso que talvez tenha perdido a habilidade também. Mas bem, podemos sempre encontrá-lo, há de estar por perto, não há de ter ido para longe porque um sorriso não corre nem apanha taxis. Mas tem mau feitio, é verdade. O sorriso é demasiado independente para o meu gosto, só aparece bem quando ele quer, não quando se precisa. Não se pode forçar. Talvez tenhas razão, talvez o melhor seja esticar a vela, esperar pelo vento e ver o que acontece. Talvez ele volte, o sorriso e o resto. Mas eu toco-te e não te sinto. Não sinto nada. Será que ainda te toco?

Serious Issues

Trabalhar a pensar nas férias e passar as férias a pensar no trabalho. Que eu vire cão se chego ao final das férias sem me espancar selvagemmente com um pão-de-ló ou um queijo da serra. Que é nada mais nada menos que tudo o que tenho à mão esta semana.

É, parece que sempre vai

Parece que estou de férias. Depois de muito correr e muito batalhar, estou de férias.

Agora sim, é hora de tirar cá para fora o espírito natalício que vive em mim e lançar-me na louca aventura das compras em vésperas de Natal. Suicida, louco? Selvagem. Apenas um selvagem urbano, amante das lutas aguerrilhadas das lojas em tempo de Natal. Eu sei, é preciso tê-los no sítio, mas vocês também nunca duvidaram disso.

Ta-la-la-la-la, la-la-la-la. Merry Christmas, folks!

O momento em que está tudo fodido

É exactamente aquele em que começas a achar aceitável usar  sapatos pretos com sola de borracha, esses que dão bem com tudo mas não ficam bem com nada.

Toda a gente que eu conheço e que efectivamente use este tipo de sapatos, já está amaldiçoada ou perfeitamente encarrilhada para um futuro cinzento como contabilista, agente de seguros ou solicitador. São pessoas sérias, responsáveis. Pessoas a sério, daquelas que escrevem efectivamente nos livros de reclamações e que trazem o cêntimo de troco na caixa do supermercado. Pessoas que estão a entrar no trabalho às 08:58 para terem tempo de ligar o computador antes das 09:00. Pessoas pão-pão, queijo-queijo. Indivíduos cinzentos e quadrados, que só bebem álcool quando têm visitas.

Meus queridos, isto é pessoal que passa os sábados a lavar o carro, a podar as plantas e a cortar a relva. Isto até ao final do almoço, hora em que chega o cunhado, que cumprimenta com um aperto de mão firme antes de partir para uma daquelas conversas de braços cruzados, olhos distantes e pontapézinhos na borda do passeio, provavelmente a saber do grande derbi do dia a seguir, Marinhas x Esposende; ou do Governo; ou da tal situação do primo do tio do marido da Xana, que parece que tem tido uns problemas com o banco e parece que está para emigrar. Ele que também nunca foi flor que se cheire, porque daqueles lados é tudo a mesma laia. Eles lá não, nada disso. São gente adulta, que usa risco ao lado. Que usa camisa por dentro das calças de bombazine. E que traz no pulso o bom velho Citizen de 38mm, comprado aqui há uns anos pela altura da Páscoa. E os sapatos pretos com sola de borracha. Sempre.

Acordo do sono

E tenho a cabeça zonza, sóbria mas zonza. Talvez tenha falado demais ou pensado de menos, sei bem que não posso abusar de nenhum mas nunca aprendo. Mas… Mas onde porra estou eu, e como vieram cá parar estar pregas ridículas, este peso de chumbo sobre os meus ombros? Mas que raio, alguém viu onde deixei o outro fato que trazia, o do puto de cabelo rapado? Esse que fumava cigarros perfumados retido num banco do pátio a ver o mundo passar em frente aos seus olhos, ao embalo suave do post-rock? Onde param os amores para-toda-a-vida-durante-cinco-dias? E para que lado está o miradouro de onde posso ver as minhas musas, as que sempre passam aos 15 segundos do toque da campaínha? Onde foi todo o mundo afinal? Está escuro e não consigo ver. Abro os olhos, esfrego mas não consigo ver para além deste metro quadrado. Onde estou eu? Alguém me trouxe a este cubículo imundo, consigo sentir de longe o cheiro sujo de papéis carimbados e números com mais de três algarismos. Não posso cá ficar, desculpem mas tenho que ir já. Alguém me tire daqui imediatamente, preciso de voltar para o meu banco do pátio. Preciso de voltar para a minha cabine de observação, preciso de ver o mundo correr à frente dos meus olhos porque preciso disso como do ar que respiro. Preciso do meu caderno de sarrabiscos, alguém mo traga! Preciso de me sentar no meu banco e rever todas as minhas teorias sociais e sociológicas, passar os olhos pela origem da vida e dos sentimentos, e bem – não posso esquecer que tenho na minha mão o poder de mudar o mundo. Preciso das minhas teorias e ironias de volta, deixem-me sair daqui. Preciso de voltar a saber o que penso, o que digo e para onde vou. E de saber como ir. Levem-me de volta aos meus pensamentos, levem-me de volta aos meus sonhos, levem-me de volta já! Nem sei porque de lá fui sair, talvez afinal devesse nunca ter deixado o pátio nem querido mudar o mundo. Talvez tivesse sido mais sensato ter simplesmente ficado de longe, observando e analisando como sempre, registando notas mentais sobre a demência e hipnose de um exército que se arrastava e pairava à minha frente como nevoeiro, nevoeiro quase como nevoeiro comum, só que apenas nevoeiro que não se via. Eu via, ele é que não se via a si próprio. E agora também não consigo ver, está escuro e não consigo ver. Abro os olhos, esfrego… E continuo a não ver.

Can’t say i didn’t try

Garcia Marquez não é para mim. Voltei a dar-lhe uma oportunidade, após uns anos, e continua a ser fantasia a mais. Gabriel, você é o elo mais fraco, adeus.

Frio, a quanto obrigas

Acabo de reparar que não gasto um cêntimo desde domingo, exceptuando o maço de tabaco que comprei na 2ª feira. Tem sido trabalho-casa, casa-trabalho. E logo eu… Contado ninguém acredita.

Falando de fétiche

Não, não são as enfermeiras de mini-saia, as colegiais de saia de pregas nem as secretárias de óculos de massa e decote pronunciado que me acendem o fogo. Ok, também são mas não em especial. O que me faz trepar paredes de costas são as mulheres vestidas de noiva. Quando vejo uma imaculada e luminosa noiva apetece-me fodê-la, fodê-la em alguns breves minutos plenos de violência e luxúria. Às escondidas: na sacristia ou na casa-de-banho do copo de água.

Sim, eu sei que sou um filho-da-puta tarado. Mas tirando isso sou bom rapaz, juro.

Sei que isto não abona a meu favor

Mas sou um gajo cheio de espírito natalício. Fico todo inchado, todo melado, todo sentimental. Nem sequer roubo as esmolas aos sem abrigo quando vou passear na cidade em tempo de Natal, fico altruísta que só visto. Gosto de ver as montras, de ver as luzinhas e da música nas ruas, gosto de oferecer presentes às pessoas de quem gosto. E gosto da noite de Natal, dos doces e do vinho e do queijo que vem da Serra, gosto da sueca e do poker pela noite dentro. E no final da noite, gosto de sair de casa e andar alguns metros até à casa de um grande amigo (traditions, right?) terminando a noite em plena decadência alcoólica. Just like the good old times.

O único problema é que o espírito natalício só me toca uns dois ou três dias antes, não mais. Como de resto devia ser, e não um mês antes, como se vê por essas ruas e internetes fora. Nesta altura sou um Mr. Scrooge da vida. Irrita-me o Natal, odeio ouvir falar em Natal e odeio tudo o que se relacione com o Natal. Mas quando chegar o tempo certo lá estarei, de sorriso bonacheirão a celebrar o velho aniversário do nascimento do rapaz. Mas por favor, chega de falar de Natal enquanto não é Natal.

Querem um conselho?

Vejam a série Boardwalk Empire. À minha responsabilidade. Se gostarem de crime e máfia, claro. Ou do grande Steve Buscemi.