Perguntas e respostas: edição marfim

No seguimento deste post da Lia, pus-me a reflectir um pouco sobre relações, gajas, vidas e casamentos. Diz então a querida Lia, a certo ponto, que é invadida por algumas perguntas aparentemente sem resposta. Aparentemente. O bravo Primo vai responder, sim?

 

Pergunta nº 1: Ter uma relação extra com alguém não vai fazer com que eu relegue o meu marido para 2º plano?

Não. No máximo vai fazer com que ele possa apanhar uma rádio da Nova Zelândia ou que possas usá-lo como estendal. Julgo que o marido não fica necessariamente para 2º lugar – pode até vir a ganhar com isso – o que fica definitivamente para segundo lugar é a relação, o compromisso que assumiram um dia. Costuma dizer-se que “coração que não vê é coração que não sente”, e se ele nunca chegar a saber de nada, nunca se sentirá de forma alguma prejudicado. Quem morre mais um pouco é o compromisso, o respeito. E a nisto a consciência a dar de si, a cada passo. E o medo de ser descoberta, quando reparas que deixaste pontas soltas e começas a entrar em paranóia.

 

Pergunta nº 2: Em que é que isso vai apimentar a minha relação?

É a velha teoria da massa e do arroz, never heard of it? É como passares anos a comer arroz, podes até adorar arroz mas “que bem que te sabia uma massa” depois de tanto arroz… Até voltavas a comer arroz com mais vontade do que nunca. Capisce?

 

Pergunta nº 3: Será que estamos tão mal de valores que precisamos de trair para nos sentirmos bem?

Infelizmente não me parece que alguma traição faça quem quer que seja sentir-se bem, a não ser que seja por vingança ou que parta de alguém que não recebe amor e bons tratos de quem é suposto receber. Mas nem assim me parece realmente positiva. Há realmente alguns benefícios (essencialmente carnais) a obter de um pulo na cerca, mas bem-estar não me parece um deles.

 

Pergunta nº 4: Vivemos numa sociedade tão cheia de tabus que não sejamos capazes de CONVERSAR com a pessoa que temos ao nosso lado e dizer-lhe o que está mal e precisa de mudar, mas temos coragem de sair dos limites?

Vivemos na sociedade do descartável, na sociedade da fast food e da obsolência programada, na sociedade do ego – egoísmo e egocentrismo. Como li aqui há tempos, “é sempre mais fácil comprar novo que reparar”. Já ninguém tem paciência para reparar. E isto, minha amiga Lia, é isto que está mal na sociedade e nas pessoas. Já ninguém tem tempo para nada, ninguém tem tempo para trabalhar a relação, ninguém tem tempo para sentar e conversar sobre a relação, ninguém tem tempo para uma foda com calma, sem relógios nem compromissos. Então quando alguma coisa se estraga, nós compramos novo. Não arranjamos, não reparamos, não tentamos perceber qual é o problema. Encostamos aquela merda, estragada, e começamos a usar o novo que realmente funciona e é tão mais porreiro e funcional. Até que chega o dia em que começam a aparecer os defeitos neste novo, que afinal também os tem, e deixa de ter piadinha. Raio de comando da TV, não dá sequer para ir ao teletexto. Ou que eu tinha antes, esse é que era porreiro. Mas avariou e deitei-o fora…

9 thoughts on “Perguntas e respostas: edição marfim

  1. Ainda hoje pensava em algo semelhante ao último ponto. Porque é que há casais que não falam um com o outro? Temos amigos que jantam connosco e nao trocam uma palavra entre si. Pior do que nao se dar ao trabalho de arranjar algo quando está estragado é mesmo não se dar conta que se arrasta uma relação sem sentido nenhum. Muitas vezes isso motiva as tais tentativas frustradas de apimentar a relação, que só acabam por criar mais e mais atrito.

  2. Lia diz:

    Muito agradecida pelo esclarecimento… Deu para ter uma “nova visão sobre o assunto”, e para rir um bocado :p

  3. POC diz:

    “No máximo vai fazer com que ele possa apanhar uma rádio da Nova Zelândia” – TOP!

  4. Ana B. diz:

    Concordo e subscrevo. O novo é mais fácil e muitas vezes as relações nem sequer têm, logo à partida, respeito ou compromisso. É uma coisa que dura enquanto der jeito. Quando não der, arranja-se novo. Uma vez ouvi mesmo da boca de uma mulher ‘Eu a ele não lhe fiz mal nenhum, porque ele não sabe e nunca vai descobrir. Por isso é que tenho a consciência tranquila’. Well done, humanity. Eu não tenho pretensões a santa, mas se há tomates para trair, que haja tomates para dizer ‘tenho pena, mas ficamos por aqui’.

  5. Maria Misteriosa diz:

    Também gostei🙂

  6. “No máximo vai fazer com que ele possa apanhar uma rádio da Nova Zelândia ou que possas usá-lo como estendal” » O que eu me ri com isto LOL

  7. Estás feito um conselheiro😉

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