Monthly Archives: Março 2013

Toca a campaínha

– Boa tarde, posso ajudar?

– Err… Vinha cá a ver se me carimbava aqui o papel para o desemprego, a mostrar que vim cá procurar trabalho!

– Ora muito bem, então o senhor precisa de trabalho, não é verdade?

– Err… Trabalho não, preciso é do carimbo. E da declaração.

Ainda perguntam o que há de errado com este país?

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Parolões, pá!

Reparei esta semana que a blogosfera, o facebook e o twitter se levantaram em protesto (dizem que está na moda) contra este vídeo do Turismo de Portugal, que enaltece uma das nossas nobres características, a hospitalidade. Por falta de tempo ou oportunidade, só consegui atirar-lhe os olhos hoje.

Pois bem, parece que público em geral e bloggers em particular acham que isto é um incentivo à subserviência e à criadagem. Como se houvesse algo de mal em fazer bem o seu trabalho (no caso de quem é pago para o fazer, nomeadamente empregados de mesa, guias ou professores de surf) ou simplesmente entrar numa de se entreter com um grupo de estrangeiros, como fez ali no caso a Ana (por onde andam as Anas desta vida quando eu estou perdido?), que levou os gajos a sair? Mas que possível forma de subserviência pode advir disto, senhores? Não que tenha particular razão de queixa – tirando um ou outro caso sempre fui bem tratado por onde passei, mas ainda assim quem me dera a mim encontrar gente como a nossa de cada vez que saio do país. Neste caso em especial, onde muita gente vê ‘rameiras’, ‘gigolos’ e ‘criados’, eu vejo tratamento personalizado e especializado, perfeccionismo e brio. Ok, talvez a cena do beijo fosse escusada, mas ainda assim entende-se bem o propósito.

Entendo honestamente que neste ponto uma tal crise (a de valores, não a financeira) que atravessamos nos tolda a visão, nos enche de complexos e nos faz sentir inferiores aos outros. Noto isso no futebol, porque o craque que vem de fora é à partida melhor que o que é nosso. Noto isso no entretenimento e nas artes, porque se a banda é inglesa então é automaticamente melhor que estes portuguesinhos a brincar aos instrumentos. Noto isso no turismo, porque se for uma aldeia escocesa é lindíssima e cheia de força espiritual mas se for uma aldeia de Trás-os-Montes é velha, aborrecida e saloia. Nota-se em tudo. O português quer ser ‘big’, quer ser ‘awesome’ e quer ser, basicamente, a merda de um americano. Não quer ser português, porque ser português é parolo, é pequeno, é ter pouco impacto. Por isso renega aos seus valores básicos, recrimina quem os reproduz e aponta o dedo a quem faz algo pela alma portuguesa, porque é um parolão que se vê logo que não sabe como fazem os franceses e os alimães e os suiços, fora no Luxamburgo que aí é que é. Nós aqui é que somos uns parolões que não sabemos mais e pronto, cá andamos.

Deixem-se de merdinhas, a sério. Somos portugueses. Não temos que aceitar lições de ninguém, rebaixamento de ninguém nem humilhação de ninguém. A nossa história é maior que a de qualquer nação mundial. Portanto vamos lá saber estar à altura dessa história e à altura de quem (ainda) nos procura. Vamos fazer jus ao que dizem de nós e ao que procuram em nós, porque nós sabemos fazê-lo como poucos.

Boa comida, check! Sol, check! Gente bonita, check! Hospitalidade… Check.