Parolões, pá!

Reparei esta semana que a blogosfera, o facebook e o twitter se levantaram em protesto (dizem que está na moda) contra este vídeo do Turismo de Portugal, que enaltece uma das nossas nobres características, a hospitalidade. Por falta de tempo ou oportunidade, só consegui atirar-lhe os olhos hoje.

Pois bem, parece que público em geral e bloggers em particular acham que isto é um incentivo à subserviência e à criadagem. Como se houvesse algo de mal em fazer bem o seu trabalho (no caso de quem é pago para o fazer, nomeadamente empregados de mesa, guias ou professores de surf) ou simplesmente entrar numa de se entreter com um grupo de estrangeiros, como fez ali no caso a Ana (por onde andam as Anas desta vida quando eu estou perdido?), que levou os gajos a sair? Mas que possível forma de subserviência pode advir disto, senhores? Não que tenha particular razão de queixa – tirando um ou outro caso sempre fui bem tratado por onde passei, mas ainda assim quem me dera a mim encontrar gente como a nossa de cada vez que saio do país. Neste caso em especial, onde muita gente vê ‘rameiras’, ‘gigolos’ e ‘criados’, eu vejo tratamento personalizado e especializado, perfeccionismo e brio. Ok, talvez a cena do beijo fosse escusada, mas ainda assim entende-se bem o propósito.

Entendo honestamente que neste ponto uma tal crise (a de valores, não a financeira) que atravessamos nos tolda a visão, nos enche de complexos e nos faz sentir inferiores aos outros. Noto isso no futebol, porque o craque que vem de fora é à partida melhor que o que é nosso. Noto isso no entretenimento e nas artes, porque se a banda é inglesa então é automaticamente melhor que estes portuguesinhos a brincar aos instrumentos. Noto isso no turismo, porque se for uma aldeia escocesa é lindíssima e cheia de força espiritual mas se for uma aldeia de Trás-os-Montes é velha, aborrecida e saloia. Nota-se em tudo. O português quer ser ‘big’, quer ser ‘awesome’ e quer ser, basicamente, a merda de um americano. Não quer ser português, porque ser português é parolo, é pequeno, é ter pouco impacto. Por isso renega aos seus valores básicos, recrimina quem os reproduz e aponta o dedo a quem faz algo pela alma portuguesa, porque é um parolão que se vê logo que não sabe como fazem os franceses e os alimães e os suiços, fora no Luxamburgo que aí é que é. Nós aqui é que somos uns parolões que não sabemos mais e pronto, cá andamos.

Deixem-se de merdinhas, a sério. Somos portugueses. Não temos que aceitar lições de ninguém, rebaixamento de ninguém nem humilhação de ninguém. A nossa história é maior que a de qualquer nação mundial. Portanto vamos lá saber estar à altura dessa história e à altura de quem (ainda) nos procura. Vamos fazer jus ao que dizem de nós e ao que procuram em nós, porque nós sabemos fazê-lo como poucos.

Boa comida, check! Sol, check! Gente bonita, check! Hospitalidade… Check.

7 thoughts on “Parolões, pá!

  1. Lia diz:

    Eu devo andar mesmo “a dormir”, porque só soube deste vídeo e desta ‘polémica’ agora, ao ler este post. E eu concordo, plenamente, contigo… É nisto, na hospitalidade, que nós somos mesmo bons, e até nisso o tuga põe defeitos. É realmente mau!

    (quanto ao beijo que falas, é o da senhora do golf não é? É que devo mesmo ter sido a única que se apercebeu que aquele beijo era de um casal: ela veio em turismo e ficou por cá porque conheceu aquele português – digo eu, que presto atenção aos pormenores, as coordenadas e origens dos turistas vão aparecendo à medida que eles se apresentam e essa, em particular, tem a localização em Portugal. Digo eu. Pode ter sido só um erro!)

  2. Foi exactamente isso também que eu levei, Lia. Mas não sei se toda a gente terá entendido da mesma forma. lol

  3. POC diz:

    Só lamento que a Ana faça atenção aos turistas e a mim não.

  4. carol diz:

    O comentário da Lia podia ter sido eu a escrever, sem tirar nem pôr. Só consigo concordar, nada mais a acrescentar🙂

  5. Ana B. diz:

    Alguém chamou?😀 Concordo quando dizes que esta crise, a dos valores, nos anda a toldar o discernimento. Ou isso ou sol a mais na moleirinha. Confundem-se as coisas mais estúpidas. Mas vá que consigo dar um desconto e perceber que, nos dias que correm, o primeiro instinto seja atirar a matar. Turismo de Portugal, Governo. Governo, Passos e Relvas e Gaspar e companhia limitada, a malta acha logo que é mais uma boca ao bom estilo ‘piegas’. Mas depois do primeiro tremor, convém que ninguém se esqueça que o turismo é uma importante fonte de receita e cada vez mais os hostels e os b&b vão passar a ser alternativas aos formatos tradicionais. E com certeza a nossa hospitalidade é um dos grandes motivadores.

  6. Concordo e subscrevo:) Nós somos tão bons que a Grândola já é cantada em Madrid nas manifestações dos nuetros hermanos!

  7. Maria Misteriosa diz:

    Bem, temos as Anas para os estrangeiros e os Danieis para as estrangeiras😉
    Eu não diria melhor, é efetivamente revoltante ouvir gente que menospreza o seu país. Sempre fomos um povo hospitaleiro. Tal como tu, nunca tive nada a apontar a quem trabalha na área do turismo, restauração,…talvez porque simpatia se pague com simpatia😉
    Costumo dizer que sou uma cidadã do mundo mas não há dúvida que Portugal é mesmo um jardim à beira mar plantado: belas paisagens, belas praias, todos os climas e uma gastronomia divinal😉 Querem mais?

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