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Acordo das profundezas

… Depois de mais um duríssimo festival Paredes de Coura. Nunca estou pronto, e eu me confesso, para quatro dias de tanta violência autoimposta.

Nunca vos disse, mas este evento marca anualmente a minha entrada para o maravilhoso mundo das férias – o que por si só já é um motivo de muito êxtase e muita alegria, mas também o meu ritual de completo isolamento do mundo durante quatro dias a fio. Quatro dias de telemóvel desligado, a acordar, beber, comer, mergulhar no rio, fumar estupefacientes de várias origens, fumar cigarros meus e cigarros cravados, ver concertos bons e maus, e tentar dormir qualquer coisa. Ou seja, tudo o que um homem pode pedir a nível de retiro espiritual dentro da categoria “a menos de 50km de casa”.

Agora a parte má: se há coisa que não gosto… É música electrónica. E gosto ainda menos quando pago um bilhete para um festival de rock, com a inocente presunção e intenção de ver concertos de rock. Vou a Paredes e não vou ao Sudoeste por algumas razões bem identificadas:  porque não gosto de música electrónica – um, e porque os putos e pitas com respectivamente tesão de mijo e pito aos saltos a modos que me irritam um bocado – dois. Se vou a Paredes e não ao Sudoeste é porque quero um festival a sério e não uma merda mal amanhada, com meia dúzia de nomes famosos lá na terra deles e na escola secundária mais próxima, que ninguém conhece nem tão pouco quer conhecer, a actuarem em palcos gigantescos onde tocam músicas gravadas no computador para uma multidão de putos ao rubro. Não tenho nada contra a música electrónica e quem dela gosta, rogo apenas que não invadam com ela o espaço cá dos velhotes habituados à boa velha música que faz cansar os dedos, braços e pernas de quem a toca.  Os velhinhos vão a Paredes porque querem guitarras, solos, riffs, baterias, linhas de baixo, crowd surfing, vocais, grouppies. Tudo a que têm direito, tão só e tão apenas Rock. E nada de DJs-xpto-overflow-light-super-strobe.

Então como está tudo?

Ora viva, caros e caríssimas, como está tudo? Sentiram a minha falta? Não? Oh diabo…!

Mas é verdade, aqui o primo foi de ‘biaige’ e acaba de voltar, agora que é mês de Agosto e é tempo da emigração vir à terra,  tal e qual pardal ao ninho. Mas não eu, não eu, estou a mentir, o mais longe que fui ultimamente foi Paris e ainda foi no tempo do frio. Mas pronto, sendo assim cá estou de volta ao velógue, para valer.

De novidades nada de especial, tirando o facto de esta semana não ter ganho para o susto. Um electrocardiograma numa consulta de Medicina no Trabalho deu lugar a um exame de Holter (ECG durante 24h), que por sua vez confirmou as suspeitas anteriores do primeiro ECG – um bloqueio no coração, o meu enorme coração. Não fazia ideia, mas estes bloqueios acontecem durante a noite e são, de forma reduzida, uma paragem dos choques cardíacos. No caso, o normal seria que a ciclo entre dois choques durasse 1,3 segundos, mas somehow na altura dos bloqueios os meus choques tinham intervalos de 2,5 segundos. Posto isto, truca-truca ao médico mostrar o exame, e a Sr. Dra. veio-me com a conversa que tal e coiso, se calhar isto ia ser impeditivo de voltar a praticar desporto com a intensidade que o estou a fazer. E claro, escusado será dizer que fiquei logo pior que estragado, cagarolas como sou. Entretanto lá me mandou fazer um ecocardiograma, para que realmente se pudesse confirmar se havia ou não alguma anomalia, defeito, enjeito ou tragédia grega. Lá vai ele e tal (borrado de medo, evidentemente), e entretanto este Sr. Dr. lá me apareceu que nem santo, diz-me que nada se passa e tudo se consome e que estou rijo e vergalheiro, pronto para muitas corridas, muitas saídas de BTT, o que quisesse. Deus desceu à terra e deu-me um sinal!, tenho que fazer da minha vida utilidades várias, tenho que fazer valer. E por isso cá estou de volta ao blog, porque quem sabe amanhã o Primo não vai desta para melhor e ospois vocês bem sabem, seriam sábias e doutas palavras desperdiçadas pela preguiça.

PS: Ah, aquelas derrotas do Benfica também serviram para me desanimar. Passei 3 dias a chorar na cama, enrolado a um cobertor e a uma caixa de Milka, com o rádio a tocar baladas e a tv a passar porno dos anos 80. A ver se me animava. É o meu spa. Animei. A modos que. Depois, problemas de coração. Elas pagam-se é neste mundo…